sábado, 10 de janeiro de 2009

Aurto da Barca do Inferno - O Onzeneiro (I)

Avarento

Puxando um avarento de um pataco
para pagar a tampa de um buraco
que tinha já nas abas do casaco,
levanta os olhos, vê o céu opaco,
revira-os fulo e dá com um macaco
defronte, numa loja de tabaco...
que lhe fazia muito mal ao caco!
Diz ele então
na força da paixão:
- Há casaco melhor que aquela pele?
Trocava o meu casaco por aquele...
E até a mim... por ele...
João de Deus, Campo de Flores

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

As Moedas

Na cena do Onzeneiro, Gil Vicente critica violentamente uma prática do seu tempo – o empréstimo de dinheiro a juro. Actualmente, este processo é aceite, banal e mesmo essencial.

A propósito da importância do "vil metal" na economia de um país, deixo aqui um brevíssimo quadro da História das Moedas Portuguesas.


Moedas Portuguesas – de D. Afonso Henriques aos nossos dias


Dinheiro
Moeda cunhada no reinado de D. Afonso Henriques, no século XII. O seu nome deriva do Latim denariu e apresenta cruzes cristãs à volta das quais se inscreve o nome Alfonsus.

Morabitino
No século XIII, D. Afonso II mandou cunhar esta moeda – morabitino – inspirada na moeda muçulmana (dinar).

Real
Moeda de cobre cunhada por D. João I, usada entre 1385 e 1433.

Tostão
No século XVI, D. João III mandou cunhar esta moeda que apresenta as cinco quinas dentro de um escudo coroado.

6400 Réis
Em 1749, D. João V mandou cunhar esta moeda de ouro que apresenta o busto do monarca; moeda privada dos reis.

Escudo
Com a implantação da República em 1910, o escudo passou a ser a moeda portuguesa.

Euro
Quando os países da União Europeia decidiram adoptar uma moeda única (com a assinatura do Tratado de Maastricht, em 1992), escolheram chamar-lhe EURO (no Conselho Europeu de Madrid – 1995). No dia 1 de Janeiro de 2002, o Euro passou a circular nos países aderentes, entre eles Portugal.

sábado, 3 de janeiro de 2009

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Carta do Fidalgo a S. Pedro

Venerando São Pedro, príncipe dos Apóstolos:

Já deveis saber da injustiça de que este Teu humilde servo Anrique, Fidalgo da Casa de Sua Majestade, foi vítima, por parte da intransigência do Diabo e de um Santo Anjo que acordou mal disposto. E logo a mim, a menos habituada das criaturas de Deus a ser tratada com grosseria.

É verdade que me descuidei um bocadinho. Mandei açoitar uns aldeões com as entregas de rendas em atraso. Alarguei ligeiramente a minha propriedade com as terras de uma viúva, que acusei de bruxaria. Mas não foi por maldade. É que ela não sabia explorar essas terras. E que culpa tenho eu de ter generosamente acolhido algumas damas mal-amadas? E ainda outras pequenas coisas que não valem a pena recordar, para não maçar Vossa Santidade.

Mesmo reconhecendo esses pecadilhos, acha Vossa Santidade que um homem da minha condição, habituado ao grande sacrifício de gerir a vida social de um castelo, ilustre representante da nobreza de Portugal, deva ser condenado? Não deixei eu na Terra quem reze por mim? E aquele donativo que dei para reparar o altar-mor da capela de Nossa Senhora dos Aflitos? Não ia eu à Santa Missa com frequência? Não receberam os meus filhos (mesmo os bastardos) o santo Baptismo?

Saiba, Vossa Santidade, que se for permitido voltar à Terra, mandarei erigir uma capela (não muito grande, pois não sou rico) em Vossa Honra e hei-de obrigar todos os que trabalham nas minhas propriedades a participarem numa Procissão em Vossa memória, finda a qual se comerá só peixe.

Na expectativa de que me conceda Vossa Santidade a grã mercê de voltar à Terra, reparando a maior injustiça que o mundo já viu, subscrevo-me,

Seu devoto e humilde servo,

Anrique de Penalva, Fidalgo do Reino

(in Ser em Português 9, 2004)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Boas Festas


Feliz Natal e Um Ano de 2009 em CHEIO!!


sábado, 20 de dezembro de 2008