sábado, 17 de janeiro de 2009

Auto da Barca do Inferno – Joane, o Parvo (II)

Síntese

Auto da Barca do Inferno – Joane, o Parvo (I)


Os parvos têm, no teatro vicentino, uma função cómica, originada pelos disparates que proferem (cómico de linguagem).

Assim acontece neste auto, embora, em certas ocasiões, o Joane se junte às personagens alegóricas para criticar os que pretendem embarcar e sirva, algumas vezes, de comentador.

Nota: No entanto, a série de insultos que o Joane profere contra o Diabo seria, no século XVI, menos tola pelas referências a pessoas e factos então conhecidos.


sábado, 10 de janeiro de 2009

Aurto da Barca do Inferno - O Onzeneiro (II)

Síntese

Quem tudo quer, tudo perde

Onzeneiro
representante de burguesia comercial

Símbolo:
bolsão enorme

Caracterização:
materialista, usurário, avarento, ganancioso,
explorador dos mais fracos (cobrança de juros elevados).

Linguagem:
vulgar

Comportamento:
avarento, usurário

Aurto da Barca do Inferno - O Onzeneiro (I)

Avarento

Puxando um avarento de um pataco
para pagar a tampa de um buraco
que tinha já nas abas do casaco,
levanta os olhos, vê o céu opaco,
revira-os fulo e dá com um macaco
defronte, numa loja de tabaco...
que lhe fazia muito mal ao caco!
Diz ele então
na força da paixão:
- Há casaco melhor que aquela pele?
Trocava o meu casaco por aquele...
E até a mim... por ele...
João de Deus, Campo de Flores

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

As Moedas

Na cena do Onzeneiro, Gil Vicente critica violentamente uma prática do seu tempo – o empréstimo de dinheiro a juro. Actualmente, este processo é aceite, banal e mesmo essencial.

A propósito da importância do "vil metal" na economia de um país, deixo aqui um brevíssimo quadro da História das Moedas Portuguesas.


Moedas Portuguesas – de D. Afonso Henriques aos nossos dias


Dinheiro
Moeda cunhada no reinado de D. Afonso Henriques, no século XII. O seu nome deriva do Latim denariu e apresenta cruzes cristãs à volta das quais se inscreve o nome Alfonsus.

Morabitino
No século XIII, D. Afonso II mandou cunhar esta moeda – morabitino – inspirada na moeda muçulmana (dinar).

Real
Moeda de cobre cunhada por D. João I, usada entre 1385 e 1433.

Tostão
No século XVI, D. João III mandou cunhar esta moeda que apresenta as cinco quinas dentro de um escudo coroado.

6400 Réis
Em 1749, D. João V mandou cunhar esta moeda de ouro que apresenta o busto do monarca; moeda privada dos reis.

Escudo
Com a implantação da República em 1910, o escudo passou a ser a moeda portuguesa.

Euro
Quando os países da União Europeia decidiram adoptar uma moeda única (com a assinatura do Tratado de Maastricht, em 1992), escolheram chamar-lhe EURO (no Conselho Europeu de Madrid – 1995). No dia 1 de Janeiro de 2002, o Euro passou a circular nos países aderentes, entre eles Portugal.

sábado, 3 de janeiro de 2009